domingo, 1 de janeiro de 2012

Amando(a)

Tu és flor, ora doce tulipa, ora espinhosa rosa, ora formidável alecrim. Orquídea, predileta! A ti escolhi para regar diariamente com límpida fonte, adubada a meu coração moribundo, escolhida para ocupar o vaso honorífico destinado ao botão mais belo da estufa. E és tu, selecionada, pétalas macias e perfeita simetria. Tímida, pequena rama bancando discreta, secretando o tesouro do seu perfume teimando exalar. Acaricio-a com a ponta dos dedos, todo cuidado é pouco e nada lhe pode faltar. Cerco com minhas mãos, aproximo meu rosto e suspiro –  não escapam das minhas narinas precioso odor -. Com carinho oferto cuidado, e vejo-te desabrochar a correspondência do meu fadigo amor.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Um ano, quem diria!

Certa feita, Mário Quintana afirmou em uma das suas obras que “quem faz um poema abre uma janela (...) salva um afogado”. Em um ano inteiro de expor meus sentimentos em uma página virtual – fato jamais imaginado por minha mentalidade obsoleta e antiquada – preenchida com poemas, prosas e textos os quais confundiam tais denominações, não abri janelas, destranquei imensas portas as quais periodicamente me libertavam de angústias já tão enraizadas no peito, e por ora me acolhiam em celebrações de alegres momentos também vividos. Descrever sentimentos, no prisma dos sentidos – sinestésico – tornou-se uma atividade rotineira, e tal tarefa não obteria tanto êxito se você, caro leitor, não acompanhasse postagem por postagem meus controversos desabafos.

Agradeço a todos os leitores da Sinestesia, deixando minha sincera gratidão pelo 1º  aniversário do “sinestesicamente falando”!

domingo, 18 de dezembro de 2011

∞

Apenas agora, pois, dei-me merecido tempo para dar as costas à tantas projeções exigidas sobre mim e fiz meu ritual que há tempos atrás o fazia com maior frequência. Mirei o ontem. o anteontem. o ano inteiro. Por mais que tentasse enganar a minha consciência, vendar os olhos, meu coração já sussurrava as notórias diferenças desta reflexão quanto às muitas outras. Em meses atrás, os deliciosos momentos em que me reportava às peripécias compartilhadas com aqueles os quais tanto me importo - meus amigos do colegial - soavam melodiosas, abraçavam-me afetuosamente e eu dava-lhes toda assistência como quem recebe visita tão presunçosa! E ria só, gargalhava até, pouco caso fazia dos incompreendidos que encaravam-me nas ruas ao me ver mostrando os dentes em plena recordação, taxavam-me como esquizofrênico, capaz. Todavia, desta vez, um desconforto tomava posse das minhas lembranças, que mais vivas do que nunca, ressaltavam a me despertar o final do ciclo que a de vir. A ampulheta escorre os últimos grãos do ensino médio e o receio ao afrouxamento do laço tão edificado vem a tona. Antes, boas lembranças acompanhavam a certeza da permanência diária no ano seguinte. Mas e agora? Em meio a insegurança presente, pude apenas me recordar mais e mais, remeter-me  profundamente dos simples aos mais preciosos encontros, e pude dar conta da imensidão do meu sentimento a amigos os quais jamais a vida me dará em todo seu curso, percebi então que a sólida relação, apesar da certa distância a nos esperar, somente tomará amadurecimento, uma nova fórmula, a qual a saudade apenas crescerá a vontade de revê-los nos reencontros que faremos questão de realizá-los, riremos das bobagens feitas por nós mesmos e daremos acordes à nossa ciranda. E de tanto fitar passado e presente vivos, desmoronou-se a insegurança de perdê-los. Ao contrário, notei que nunca me senti tão amado, tão querido, que definitivamente faculdade, emprego e falta de tempo são detalhes comparados à nossa afetividade. Depois de tamanhas reflexões, enxuguei a tímida umidez no canto dos olhos e voltei às minhas atividades, com uma certeza a mais no meu coração.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Passando a régua




     Fazendo um ligeiro flashback em meus pensamentos sobre a 'melhor turma de 3º ano do ano de 2011 de colégio são lázaro', fui pondo cautelosamente os prós e os contras da convivência diária numa balança que eu mesmo a denominei de "valeu-a-pena-ou-não-nômetro". Os bons e construtivos momentos adquiridos na particularidade de cada grupo, na relação existente entre as vulgarmente chamadas 'panelinhas', as quais se confundiam numa interrelação caótica e desmanchavam-se a nossos olhos no decorrer do tempo; e as mais variadas gargalhadas dadas durante o ano letivo, atribuídas a piadas infames, ora direcionadas a toc's terríveis dos nossos mestres, ora quando Ravel abria a boca durante alguma aula meio chata. Para o outro lado da balança, ficaram as corriqueiras e tão comentadas desavenças presentes historicamente em nossa turma: mágoas, discussões, acusações de 'falsidade' - palavra tão pronunciada! - e mais diversos descasos sendo ninguém além de nós mesmos os próprios autores de tamanhas calamidades. Pesei os dois lados e decidi que não. Não podemos sair dessa sala com recordações mesquinhas de sentimentos de rancor e "disse me disse", não do Terceirão 2011 que tanto conheço! A sala que já em anos anteriores puljava brilho e criatividade nas feiras culturais, sempre recebendo os melhores elogios do publico, não da turma que liderou e venceu o desempate da Gincana do Junião, não de nós, todos nós que contagiamos nossos professores com um carisma sem igual, definitivamente, as boas recordações mais que sobressaem, me fazem esquecer  os problemas sofridos por  surtos de desunião ou rivalidade. Essas -recordações- quando vindas a tona, 'jogam em nossa cara' que não somos uma sala como qualquer outra, muito menos podemos nos despedir com esse pensamento. Convenhamos, uma turma que contém um bife, um rato, um Mister M, um peixe que às vezes é cachorro, um inferno em pessoa, um alcoólatra, um jogador do vitória e até mesmo uma ” %#@%&#@” em pessoa  está muito longe de ser uma turma padrão; e somos orgulhosos de desabarmos tabus de 'responsabilidade e compromisso' tão exigidos pela nossa idade. Eu lanço o desafio para vocês também.  Observem o quanto nós aprendemos aqui, nesse ‘metro’ quadrado. Independente de quem entrou esse ano, ano passado, ou até mesmo quem veio da maternidade pra cá, todos vamos levar para o mundo lá fora experiências inapagáveis, e quando olharmos para trás, quando nos reportarmos ao nosso colegial e principalmente ao seu ultimo ano, serão esses momentos que lhe virão a mente, desavenças serão detalhes pequeníssimos, nem preciso ser vidente para tal diagnóstico. Agradeço do fundo do meu coração a cada um de vocês que me fizeram ser quem sou hoje, e podem ter a absoluta certeza que os levarei aonde estiver.
Muitíssimo Grato dos pequenos aos exorbitantes gestos de carinho e respeito,
Rodrigo Mota

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ansiedade e soneto

Crepita o árduo coração carente,
Sente o sabor da sutil ausência,
Cresce o desejo de vê-la novamente,
Supura pavor e tristeza indesejada.

Caminha ponteiro ocioso, displicente
Vede minha ânsia, acelere as horas!
Não vê meus pulsos vibrarem ferozmente, 
Nem mesmo a dor inflamando cóleras.

Enxergo-a refletindo raios do Sol de longe,
Será verídica a imagem intermitente,
Ou confundo-te com orquídeas do horizonte?

Encerra-se a aflição, cessa e o coração palpita,
Com veste esplendente tu chegaras e sorriras,
Acolho-te – longo beijo – e venero a doce vida.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Parnaso romance

Artefato perfeito,
Obra divina, quem a poliu?
Benditas mãos que seus moldes fincaram
Reluz sensual e frágil sua fronte,
Escorre volúpia de suas curvas, doce fonte,
Provo seu mel e vou tragando poesia,
Combinação de insensatez e nostalgia,
Esculpida é certeira a cadência de longe.

sábado, 16 de julho de 2011

Desfecho

    Abracei com força na espera de um sinal, ansioso por um gesto que respondesse a ao menos metade das minhas interrogações. Apesar de receoso em parecer deveras entregue, ainda fui capaz de apertar com mais intensidade; e a procura por uma resposta tomou um rumo desesperador, ardia o meu peito hibrido pela esperança que ainda restava e pela dor da sua ausente reação a minha manifestação amorosa. Afastei minha face para deixá-la paralela a lucidez do seu rosto, mirei os seus olhos, apertei os meus como detetive em dedução final, juiz que procura evidências do crime ou mesmo prestes a inocentar sua ré. Nem provas, nem papéis, nem testemunhas que me levasse a qualquer conclusão. Seus olhares nada transmitiam, somente provocavam ainda mais a minha inquietação, as pupilas vazias que a mim encaravam apenas multiplicavam minhas dúvidas; e enquanto para ela eu era incêndio, nem fagulha ela parecia ser para mim, em tais condições. Continuei a arriscar, atritei suavemente meu rosto em sua epiderme, até que ela fosse capaz de fechar os olhos e deixar a boca flácida. Confuso com sua primeira reação, satisfeito com sua atitude e sentindo a gostosa sincronia de nossas ofegantes respirações, pressionei  meus lábios em sua boca, e fui, agora sem o receio de não ser correspondido. Antes não tivesse me atrevido a tanto; se eram dúvidas que eu colecionava em meu interior, seus esclarecimentos vieram a tona. Enquanto me dedicava em apresentar por ósculos a dimensão de meus sentimentos, recebi apenas educadas correspondências gestuais, sua língua tocava a minha de forma meramente mecânica e suas mãos gélidas seguraram meu braço como em repulsa. Compreendi o seu recado e me afastei, lenta e dolorosamente pela reciprocidade fracassada. Fechei os olhos e respirei fundo. Não me encorajei a encarar novamente seus olhares, sabia que dessa vez eles iriam me dizer o que concluí há segundos atrás, imaginei a provável leitura que faria da sua retina e isso me bastou. Dei as costas e fui andando a passos lentos, numa teimosa súplica do meu corpo em regressar, no silencioso pedido do meu coração de a ouvir me chamando de volta, mas ela não o fez. Misturei-me com a multidão no vaivém da rua e desisti de aguardar sua manifestação, guardando em meu íntimo a ultima lembrança de sua presença, eternizando nosso último contato nos vagões da minha memória.