Escrevo e sinto
Que no verso da folha
Já estava escrito.
domingo, 3 de março de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
A margem
Memórias
do nunca vivido
Presentes num lado sombrio
Do sóbrio desconhecido.
Presentes num lado sombrio
Do sóbrio desconhecido.
Na
mente esquinas perdidas
São guias do até para o nada.
Meu trilho é a minha palavra
Vereda de rasas feridas.
São guias do até para o nada.
Meu trilho é a minha palavra
Vereda de rasas feridas.
Uma
névoa atravessa Minh’ aura
Levando consigo os ponteiros.
O tempo sem marcas divaga:
Borrada a ordem dos feitos.
Levando consigo os ponteiros.
O tempo sem marcas divaga:
Borrada a ordem dos feitos.
A alma
se enleva sem forma
Na doutrina calada dos seres.
Se morrido e nascido outrora
São corpo e alma – irmãos siameses.
Na doutrina calada dos seres.
Se morrido e nascido outrora
São corpo e alma – irmãos siameses.
E dos retalhos, retratos tortos
De um novo atalho, flutuam
Rastros da eterna porfia.
Rastros da eterna porfia.
Em tensão comigo vaga
O meu mosaico esguio
À deriva.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Fracasso
O poema selou seu silêncio.
Não atendeu meus clamores por teimosia
Ou por orgulho e capricho de poesia.
Ou por orgulho e capricho de poesia.
Gritei poema venha.
Disse-lhe ser remédio que me curo,
Chamei-lhe de escudeiro. Poema ouviu,
Lambeu a ferrugem do portão escuro
Que chamou de refeição de cativeiro.
Disse-lhe ser remédio que me curo,
Chamei-lhe de escudeiro. Poema ouviu,
Lambeu a ferrugem do portão escuro
Que chamou de refeição de cativeiro.
Dei-lhe chave, papel,
Supliquei por respostas.
Poema riu com puro escárnio,
Deu-me dedo, língua, as costas.
Supliquei por respostas.
Poema riu com puro escárnio,
Deu-me dedo, língua, as costas.
Perguntei Poema então
Por que chamado se não sai
Por que melodia de
nenhuma música?
Por que chamado se não sai
Por que melodia de
nenhuma música?
Poema nem sequer me olhou.
Manteve o silêncio.
Manteve o silêncio.
Mantive
O corpo denso
De sede, dor e culpa
Desse nunca.
O corpo denso
De sede, dor e culpa
Desse nunca.
domingo, 20 de janeiro de 2013
Sonho
O sonho é um avião de papel
Pro céu atirado sem pretensão.
Pro céu atirado sem pretensão.
Miramos seu longo aplainar,
Sua resistência em manter-se.
Sua sabedoria engenhada,
Sua existência.
Sua resistência em manter-se.
Sua sabedoria engenhada,
Sua existência.
Um bailado físico, trajeto
Perfeito de arco simétrico
No caminho à progressão.
Perfeito de arco simétrico
No caminho à progressão.
Mas o maior milagre
É vibrarmos com seu voo
Sabendo que no retorno
Repousará sobre o chão.
É vibrarmos com seu voo
Sabendo que no retorno
Repousará sobre o chão.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Luto
Luto à vida?
Luto por minha parte.
Luto à arte?
Luto por saída.
Luto por saída.
Luto ao tempo?
Luto por segundo.
Luto por segundo.
Luto ao mundo?
Luto mesmo mudo.
Luto mesmo mudo.
Luto à luz?
Luto por essência.
Luto por essência.
Luto à crença?
Luto pela cruz.
Luto pela cruz.
Luto ao gosto?
Luto pelo gozo.
Luto pelo gozo.
Luto ao beijo?
Luto e como ouso!
Luto e como ouso!
Luto
Contra a existência
Em luto.
Contra a existência
Em luto.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Poeminha de boas vindas
O peito rejubila de não caber-se.
Te abraço forte e o coração
faz festa.
Te abraço forte e o coração
faz festa.
Acordo contigo do lado
Te dou um beijo calado
na testa.
Te dou um beijo calado
na testa.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Remada
Rema a rima
Rema fundo
Rema o remo
Rema o rumo.
Rema fundo
Rema o remo
Rema o rumo.
Rima e rema!
Reme a linha
Rema forte
E não definha.
Reme a linha
Rema forte
E não definha.
Reina remo!
Toca a rima
Pinta o tempo
Faz do vento
Lamparina.
Toca a rima
Pinta o tempo
Faz do vento
Lamparina.
Rema o barco
Rema o traço
Rema um passo:
Rimo e nasço.
Rema o traço
Rema um passo:
Rimo e nasço.
Rima vindo
Rema rindo
Rema a mando
Rima amando.
Rema rindo
Rema a mando
Rima amando.
Reme a vida
Reme a lida
Rema que o
Remo rema
E rima!
Reme a lida
Rema que o
Remo rema
E rima!
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